Nova versão da ISO 9001: o que mudou com a atualização?

Nova versão da ISO 9001: o que mudou com a atualização?

A nova versão da ISO 9001 foi publicada em setembro de 2015 e trouxe mudanças significativas. A norma ficou muito mais adequada à evolução dos processos de gestão e à evolução tecnológica do ambiente de negócios.

As empresas que já são certificadas na ISO 9001, revisão 2008, devem migrar para a revisão 2015 até setembro de 2018. Elaboramos este artigo para que saiba detalhadamente quais mudanças ocorreram e possa colocar em prática todas as novidades. Boa leitura!

Estrutura e terminologia

A estrutura da norma foi redefinida e passou a ser designada “estrutura de alto nível” porque padronizou os tópicos abordados nas normas de gestão da ISO, como a na ISO 9001 e ISO 14001 por exemplo, para assegurar e facilitar a plena integração entre os diferentes sistemas de gestão.

Novas terminologias também foram utilizadas na ISO 9001 para tornar mais atual e abrangente o alcance da norma. São elas:

Ambiente para a operação de processos

Essa terminologia substitui os dizeres “ambiente de trabalho” e passa a englobar a combinação de fatores humanos nos âmbitos social (não discriminatório, calmo, não confrontante) e psicológico (emocionalmente protetor, não estressante, preventivo quanto à exaustão) com fatores físicos (com níveis de temperatura, luminosidade, ruído, etc. adequados).

Informação documentada

Substituiu os termos “documentos, procedimentos documentados, manual da qualidade, plano da qualidade e registros” citados na revisão 2008 da ISO 9001. A informação documentada é um termo mais abrangente, pois admite que os documentos e registros estejam em qualquer formato (linguagem, versão de software, gráficos) ou meio (papel, arquivo eletrônico de texto, dados, imagem, áudio e/ou vídeo).

Produtos e serviços

A revisão anterior citava somente “produtos” e a nova revisão cita “produtos e serviços” para abranger todas as categorias de saídas — máquinas, ferramentas, serviços, software e materiais processados.

Produtos e serviços providos externamente

Na revisão 2008 havia a citação de “produto adquirido”, que agora é referido como “produtos e serviços providos externamente” para fazer um alinhamento com a terminologia que explicamos antes dessa e a que explicaremos logo após.

Além disso, um produto ou serviço provido externamente não necessariamente será adquirido, por não ser tangível, porque atualmente muitas entregas são virtuais, tais como os serviços de um provedor de internet e de um provedor de armazenamento de dados na nuvem.

Provedores externos

Este termo, mais amplo, substituiu as citações de “fornecedores” da revisão 2008 da norma e passou a abranger fornecedores, provedores de hospedagem, prestadores de serviços, vendedores externos, parceiros de negócios, entre outros. Enfim, todos os tipos de relacionamentos comerciais e técnicos que envolvem a operação de uma organização.

Recursos de monitoramento e medição

Na versão 2008 havia o termo “equipamentos de monitoramento e medição”, que agora foi substituído por “recursos”. Isso se deve ao fato de que a evolução tecnológica tornou possível monitorar e medir com novos mecanismos, não somente com o uso de equipamentos convencionais — trenas, cronômetros, paquímetros, torquímetros, termômetros, termostatos etc.

Na atualidade é possível utilizar diversos outros recursos para monitorar e medir, tais como câmeras fotográficas e de filmagem, sensores (óptico, térmico, ultrassônico, a laser etc.), gabaritos, aplicativos móveis, sistemas informatizados de gestão, leitores digitais, entre outros.

Algumas terminologias deixaram de ser usadas na revisão 2015, como “representante da direção” e “exclusões”. O primeiro termo porque suas atribuições poderão ser delegadas pela alta direção a quem for mais conveniente para a organização, podendo ser uma ou mais pessoas; o segundo, porque foi substituído por “aplicabilidade”.

Vale ressaltar que não há qualquer obrigatoriedade na norma para adoção da nova estrutura e terminologia na informação documentada do sistema de gestão da qualidade (SGQ).

Formas de aplicabilidade

A ISO 9001:2015 admite que qualquer de seus requisitos seja declarado como não aplicável, desde que não afete a capacidade ou a responsabilidade da organização de assegurar a conformidade de seus produtos e serviços e o aumento da satisfação do cliente. Na revisão anterior, isto só era permitido no requisito 7 da norma.

Mentalidade de risco

A norma ISO 9001:2015 ampliou as práticas preventivas ao trazer como novidade a mentalidade de risco, cujo objetivo é que a organização que a aplica aborde os riscos e oportunidades do Sistema de Gestão da Qualidade.

Esta abordagem deve alcançar todos os processos organizacionais e certamente contribuirá para a sustentabilidade do negócio. Em função disso, o requisito de ação preventiva que existia na revisão 2008 foi extinto. A abordagem de riscos é a extrapolação do antigo conceito de “ação preventiva”, o qual está permeado em toda a norma ISO9001:2015.

Contexto organizacional

A novidade da ISO 9001:2015 que causou mais dúvidas foi o requisito de contexto da organização. Ele requer que a empresa determine, monitore e analise criticamente questões internas e externas que possam interferir na capacidade da organização de alcançar os resultados pretendidos do SGQ. Elas devem ser consideradas também na determinação do direcionamento estratégico da empresa e na abordagem de riscos e oportunidades.

As questões internas envolvem a cultura, os valores, o conhecimento e o desempenho da organização. Já as questões externas têm a ver com aspectos políticos, socioeconômicos, culturais, legais, tecnológicos, competitivos e de mercado em âmbito nacional, regional, local e internacional.

Conhecer o contexto organizacional é fundamental para que o SGQ seja estruturado e implementado de acordo com as abordagens trazidas pela ISO9001:2015.

Partes interessadas

A ISO 9001:2008 focava todos os holofotes nos clientes. Na revisão 2015 ela ampliou o campo de visão para o atendimento a todas as partes interessadas no Sistema de Gestão da Qualidade, que são: colaboradores, fornecedores, comunidade, clientes, acionistas ou sócios, governo, sindicatos e outros agentes que interagem e interferem nos resultados do negócio.

As partes interessadas devem ser determinadas e seus requisitos devem ser monitorados, analisados criticamente e atendidos somente quando forem pertinentes para o SGQ.

Conhecimento organizacional

A revisão 2015 da ISO 9001 tocou em um ponto-chave para a eficácia da operação dos processos do SGQ e o alcance da conformidade de produtos e serviços: o conhecimento organizacional.

Ele é composto de todo arcabouço de conhecimento acumulado por meio de experiência, lições aprendidas com erros e sucessos, compilação e compartilhamento de conhecimento não documentado de colaboradores internos, provedores externos, clientes, enfim, de toda a base informacional que forma o know-how da organização. Todo o conhecimento organizacional deverá ser determinado, mantido, disponibilizado e compartilhado na extensão necessária.

A revisão da ISO 9001:2015 veio muito mais adequada ao novo ambiente de negócios, pois as tecnologias e metodologias de gestão evoluíram significativamente desde sua revisão anterior em 2008. Agora a norma, além de ser facilmente integrada a outras normas de sistemas de gestão, também deverá ser integrada à gestão global da organização.

Esta nova verão da ISO 9001 representou um avanço para a consolidação do sistema de gestão da qualidade como uma forte engrenagem da sustentabilidade empresarial.

Agora que você já sabe o que mudou com a atualização da norma ISO 9001, que tal compartilhar este post com seus amigos nas redes sociais para que eles também se mantenham bem informados?

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