4 grandes preocupações com as mudanças da IATF

4 grandes preocupações com as mudanças da IATF

Quem trabalha no setor de controle de qualidade, principalmente no ramo automobilístico, sabe que é essencial estar sempre atento à criação e atualização de normas de qualidade. Recentemente, em 2015, foi preciso começar a se adaptar às novidades da ISO 9001 e com a IATF16949, lançada em 2016,  não foi diferente. Para ajudar você nessa tarefa, destacamos algumas das dificuldades mais comuns decorrentes dessa alteração e explicaremos como lidar com elas. Continue a leitura para conferir!

1. Promover melhorias contínuas

Assim como a ISO 9001:2015, a IATF 16949:2016 tem como objetivo a implantação de melhorias nos processos que integram um sistema de gestão da qualidade, tornando-o mais eficiente. Além disso, as normas de qualidade criadas pelo International Automotive Task Force sempre visam uniformizar os aspectos técnicos da produção de automóveis em todo o mundo, incluindo itens relativos à segurança do veículo.

Por isso, ao se empenhar para pôr em prática as novas diretrizes, você estará tornando sua empresa mais competitiva no mercado internacional. Isso, por si só, já é um grande motivo para focar nas melhorias de processo. Mas como é possível fazer isso?

Primeiramente, é preciso identificar os pontos do processo em que costumam ocorrer mais erros, e focar neles, usando técnicas para prevenir erros humanos como os “Poka Yoke”, que são dispositivos a prova de erros. Alguns exemplos: ferramentas e máquinas com encaixes e posicionamentos que impedem erros de montagem ou produção de produtos não conformes, planilhas eletrônicas com fórmulas e células protegidas, dentre outros.

Depois é preciso criar um ambiente motivador e promover melhorias nos processos buscando ganhos de produtividade (economia de tempo, de recursos, etc.) e maior garantia na qualidade dos produtos ou serviços utilizando técnicas para identificar as oportunidades de melhorias existentes e viabilizar a implementação real no processo.

2. Fazer auditorias internas capazes de contribuir com o SGQ

A  auditoria externa é um item inerente ao processo de certificação e isso as pessoas já estão bem habituadas. A auditoria interna também faz parte do processo e é um requisito obrigatório para obter o certificado ISO 9001 e IATF 16949, então porque as empresas encontram tantas dificuldades para que a auditoria interna cumpra seu papel e tenha efetividade na verificação da conformidade do SGQ em relação a todos os requisitos aplicáveis (normativos, de clientes e de outras partes interessadas) e também para identificar riscos e oportunidades de melhoria?

O auditor interno é quem vai observar se as normas estão sendo cumpridas, bem como encontrar soluções para aprimorar o processo. Ele pode ser um funcionário da empresa — que deverá ser capacitado para que tenha amplo conhecimento das novas exigências — ou um terceirizado.

Caso o auditor interno seja funcionário da empresa, seu treinamento deve ser documentado passo a passo, para que, futuramente, haja prova de que ele está apto a exercer a função. Já se o auditor for terceirizado, deve atender aos requisitos do cliente. Em ambos os casos, a empresa é responsável pelas possíveis consequências das avaliações feitas pelo auditor, por isso é fundamental que o auditor esteja plenamente apto a realizar a atividade.

Pensando nisso, contratar um auditor terceirizado poderá trazer grandes vantagens, pois essa prática garante a imparcialidade na hora de o profissional entregar o relatório, uma vez que ele não possui nenhum vínculo com a empresa e, desde que bem selecionado, certamente contribuirá com o processo devido ao alto nível de qualificação e experiências com outras auditorias.

Além da competência da equipe auditora, é importante que a Empresa entenda o propósito do processo de auditoria, ou seja, trata-se de uma oportunidade real de se auto avaliar, corrigir e prevenir pontos vulneráveis e tornar o SGQ cada vez mais eficaz, ao contrário do que muitas empresas infelizmente ainda fazem ao entenderem que as auditorias são tarefas burocráticas e que se prestam apenas para apontar erros das pessoas. Auditorias apontam desvios e oportunidades nos processos visando sua melhoria!

3. Fazer o planejamento de mudanças

Quando se trata de mudanças que podem afetar a qualidade e principalmente, a segurança de funcionários, clientes e/ou usuários do produto final, precisamos ter atenção total. Afinal de contas, mudanças estão associadas a riscos.

Por isso, com a nova norma, é obrigatório documentar qualquer modificação ou alteração temporária. Deverão ser estudados os riscos envolvidos nas mudanças a fim de minimizar seus impactos. Deve-se considerar, por exemplo, se as mudanças provocarão alterações em parâmetros de processos e, consequentemente, em características de qualidade, segurança, confiabilidade ou durabilidade do produto ou até mesmo se as mudanças impactarão as instalações da organização trazendo consequências ao sistema produtivo ou a outras partes interessadas.

A IATF não possui nenhum suplemento automotivo adicional ao requisito controle de mudanças trazido pela ISO 9001:2015, porém reforça conceitos associados a riscos em requisitos como análise de risco (incluindo situações de recall), ação preventiva (que foi mantida na IATF) e planos de contingência que apresenta um texto muito mais prescritivo que na versão anterior da ISO TS.

A grande dificuldade na questão das mudanças está na realização de forma planejada e sistemática, pois normalmente as mudanças acontecem no dia-a-dia sem qualquer metodologia disciplinada que as documente e avalie impactos e aprendizados.

4. Promover a rastreabilidade do produto

A questão da rastreabilidade do produto sempre esteve presente no sistema de gestão da qualidade automotivo e as empresas sempre foram desafiadas a implementarem sistemas para rastrear os níveis de qualidade de seus produtos desde os materiais primários usados na cadeia automotiva.

Na IATF, devido ao cenário atual com índices altíssimos de recall e reclamações de clientes, a  indústria automobilística aumenta o rigor em relação ao requisito identificação e rastreabilidade. As organizações devem conduzir análises de requisitos de rastreabilidade internos, de clientes e regulamentares para todos os produtos automotivos incluindo o desenvolvimento e a documentação de planos de rastreabilidade baseados nos níveis de risco ou severidade da falha para os colaboradores, clientes e consumidores.

Esses planos devem definir os sistemas, os processos e os métodos de rastreabilidade apropriados para produtos, processos e locais de manufatura. O objetivo é habilitar a organização a identificar e segregar produtos não conformes e ou suspeitos, responder a clientes e órgãos regulamentares rapidamente e cobrir a todo ciclo do produto coberto pelo escopo de sistema de gestão da qualidade. Em alguns casos, a exigência pode se aplicar ao nível da unidade, ou seja, a cada produto com identificação única, inequívoca e indelével.

Nesse sentido, a intenção da norma é promover a redução de desperdício na cadeia de fornecimento e assegurar que o item que sai de um ponto e chega a outro é o mesmo, ou seja, não sofreu falsificação nem se perdeu.

Para tanto, o ideal é contar com um sistema informatizado, atribuindo um código de rastreio a cada lote. Toda vez que esse lote for recebido em um novo local, o funcionário responsável deverá inseri-lo na relação de objetos presentes na unidade. Assim, todos os envolvidos no processo poderão consultar a localização do mesmo.

Aprender, compreender e pôr em prática as novas regras trazidas pelas mudanças da IATF pode ser complexo, mas não precisa ser difícil. Procure ler bastante sobre o assunto e, se for preciso, solicite consultoria especializada. É muito importante cumprir integralmente os requisitos para que sua empresa esteja em situação regular e possa continuar crescendo, sempre com garantia de excelência.

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